PDF Imprimir E-mail

Projeto Grupo Gestor do Manguezal

Em um país com uma superfície de 8511996 Km2 e uma linha de costa cuja extensão atinge os 7408/9200 km, são muitas as particularizações regionais nas composições bióticas dos ecossistemas costeiros ao longo do mesmo.

Também várias são as diferenças regionais, porém a ocupação da faixa costeira brasileira apresenta uma característica comum: predominam formas de assentamentos humanos que determinam o rompimento de processos ecológicos, contribuindo para a degradação de ecossistemas, para a redução da diversidade genética e para a inviabilização de aproveitamento racional dos recursos ambientais (CIMA, 1991).

Um dos ecossistemas mais importantes desta linha de costa são os manguezais. Estes estão distribuídos do Amapá, nas proximidades do Parque Nacional do Cabo Orange, até Laguna em Santa Catarina. Sendo a maior concentração no meio norte no estado do Maranhão.Os manguezais cobrem aproximadamente 13.400km ao longo de cerca de 80% da região costeira brasileira - maior porção contínua de manguezais do mundo.

Os manguezais do Espírito Santo, que representam apenas 4% (Cerca de 536Km²) do total nacional, desde a época do descobrimento vem sofrendo ininterrupto processo de degradação e destruição. Apesar de providencias tomadas pelos diversos governos, no sentido de melhor uso e ocupação do solo, ainda restam áreas de manguezal que permanecem ocupadas irregularmente ou aterradas ou sofrendo influencia antrópica e biológica (Espécies invasoras).

Apesar de tudo, a produção de biomassa é bastante significativa e tem sustentado centenas e famílias que vivem da pesca e coleta dos produtos desses manguezais. Este ecossistema é considerado um recurso renovável, porém finito, quando se leva em conta à produção natural de peixes, ostras, caranguejos, camarões, siris, mariscos e até mel, além de proporcionar oportunidades recreacionais, culturais, científicas
e educacionais.

O Manguezal passa a ser considerado um recurso não renovável, quando seus espaços são substituídos por prédios, atracadouros, residências, portos, marinas, aeroportos, rodovias, salinas, aqüicultura, entre outros empreendimentos, além daqueles que condenam os manguezais a meros depositários despejos de efluentes líquidos, disposição de resíduos sólidos ou ao extrativismo indiscriminado de produtos florestais (Maciel, 1991).

A experiência adquirida no processo da gestão participativa, com vistas ao ordenamento pesqueiro do caranguejo-uçá e do goiamum nos manguezais do ES adotou como base conceitual para o ordenamento pesqueiro via EDUCAÇÃO AMBIENTAL, um conjunto de medidas que visa controlar uma atividade pesqueira, de modo a se obter sustentabilidade no uso do recurso, equilíbrio do ecossistema onde ocorre à atividade e garantia de preservação da espécie explotada; geração de emprego e renda justa para o trabalho.

Após toda esta conquista neste processo de ordenamento, surgiu o problema da DCL (Doença do Caranguejo Letárgico (Berguer 2002)), que assolou e dizimou os caranguejos adultos e sub adultos dos principais manguezais do ES, inviabilizando a atividade de coleta sustentável desde dezembro de 2005.