|
|
Como Elaborar Projetos |
Maio
de 1999 |
|
|
Antes
de utilizar esta orientação leia o item F2 do "GUIA DE
CHEFE"! |
Finalidade desta
Orientação
Esta orientação tem a finalidade de
fornecer instrumental à chefia da Unidade para a elaboração ou
análise de projetos. Fornece informações sobre o conteúdo, forma e
grau de detalhe que o projeto deve conter, tornando-se um importante
guia para a operacionalização do planejamento da Unidade.
O que é projeto?
O nome "projeto" é
utilizado para designar um conjunto de ações com um objetivo
específico a ser atingido, visando alcançar ou contribuir para
objetivos gerais ou específicos de uma unidade de conservação. Os
projetos têm começo e fim determinados, devendo alcançar metas
estabelecidas. A mudança de uma determinada situação existente para
outra desejada exige um conjunto de ações que devem conduzir, de forma
programada, a essa mudança. A expressão clara dos problemas a
resolver, dos objetivos a alcançar, das ações a executar, dos meios
necessários para tanto e das formas de verificar se a mudança ocorreu
é o que se denomina projeto.
Os
projetos geralmente integram um programa de investimentos ou são
parcelas de um plano. Podem tomar várias formas e alcançar distintos
níveis de detalhe, geralmente definidos em função do setor a que se
referem e ao grau de exigência do financiador. Nas unidades de
conservação, os programas de ação estão estabelecidos no Plano de
Manejo, especificando os resultados a obter e as atividades básicas
para alcançá-los, o que, nos casos mais complexos, exige a
elaboração de projetos específicos, que levam ao detalhamento do
plano para sua implementação. Deste modo, os projetos referidos nesta
orientação correspondem, com freqüência ao detalhamento do Plano de
Manejo.
Excepcionalmente
podem surgir problemas ou oportunidades não previstos quando da
elaboração do Plano, que exigem a elaboração de um projeto
específico. Neste caso ou naquelas Unidades que não dispõem de
planejamento, os projetos têm de ser elaborados com extremo cuidado,
pois além dos seus aspectos específicos, devem ser considerados os
impactos ambientais que possam causar à Unidade.
Os
projetos muito complexos podem ser subdivididos em subprojetos ou
componentes que geralmente correspondem a um determinado espaço
geográfico ou tema. As indicações a seguir, quanto à preparação de
projetos, são válidas também para os subprojetos que podem
integrá-los e, neste caso, antes de transmitir esta orientação aos
responsáveis pela preparação dos subprojetos, convém determinar os
objetivos e resultados dos projetos, principalmente se os subprojetos
tiverem executores distintos.
Elementos de um projeto
Um projeto é a forma de
apresentar uma proposta de trabalho. Deve conter diversos elementos, que
nesta orientação organizam-se segundo os tópicos relacionados a
seguir:
1. Contexto
2. Justificativa
3. Objetivos
4. Resultados
5. Atividades
6. Matriz de
Planejamento
7. Insumos
8. Orçamento
9. Cronograma Físico /
Financeiro
10. Executor
11. Riscos
Contexto
Esta parte do projeto tem a
finalidade de explicar de forma sucinta a situação existente no meio
em que as ações ocorrerão. O nível de detalhe desta parte deve
corresponder à complexidade e dimensão do projeto. A informações
devem indicar:
-
A
área em que atuará o projeto;
-
Sua
localização geográfica;
-
O
nível ou níveis administrativos envolvidos;
-
As
instituições responsáveis;
-
Os
grupos da população envolvidos;
-
Outras
informações relevantes que possam situar o meio em que o projeto
deve atuar.
Isto
implica na existência de um diagnóstico, ou quando este é parte do
projeto proposto, o tópico Contexto deverá conter as informações
básicas que sustentam a necessidade do projeto e consolidam os
resultados esperados dentro de um objetivo definido.
O
estabelecimento de um objetivo não pode prescindir da informação
sobre as posições estratégicas maiores dos responsáveis pela área
em que atuará o projeto. Devem ser identificadas outras ações em
execução ou previstas com objetivos similares, de modo a que possam
ser indicadas as conexões ou complementações que o novo projeto dará
às demais ações. Finalmente, o contexto deve esclarecer quanto às
instituições através das quais o projeto será levado a efeito,
explicitando quanto às competências legais e situações de fato que
podem ocorrer na área de trabalho em que o projeto deve ser
desenvolvido, capacidade de execução e sustentabilidade.
Estes
elementos devem ser apresentados de forma a permitir situar a análise
do projeto em seu ambiente real. Quando se tratar da revisão de projeto
já existente, esses elementos devem existir no projeto original,
devendo ser simplesmente confirmados ou então apresentada a nova
situação que modificou o contexto inicialmente descrito. Neste último
caso, deve ser informada a situação do projeto em revisão e as causas
que levaram a isso.
Justificativa
Aqui devem ser desenvolvidas as
razões pelas quais se julga necessário executar o projeto e porque o
mesmo foi proposto da forma pela qual é apresentado. Nesta parte deve
ficar claro:
-
O
problema (ou problemas) a ser tratado ou resolvido pelo projeto,
indicando a situação existente e aquela a ser alcançada com a
realização do mesmo;
-
As
mudanças esperadas com a realização do projeto, como os
resultados do mesmo serão utilizados e quem será
beneficiado;
-
As
metodologias e a estratégia a serem empregadas na realização do
projeto, descritas de maneira sumária, e como ambas influenciam na
organização operacional do mesmo; que outras metodologias e
estratégias foram estudadas e porque se optou pelas indicadas.
Podem ser utilizados exemplos de projetos similares em tipo, local e
executores para justificar a escolha. Se a metodologia escolhida é
de caráter eminentemente técnico ou de grande complexidade, deve
ser anexado um documento específico sobre a mesma com uma
descrição mais detalhada.
-
Se o projeto pode ser desenvolvido pelo
responsável da área a que se refere, ainda que por contratação
de serviços, ou se será necessária assistência técnica e
operacional para que se possa executá-lo;
-
Quando for o caso, fazer referência à
participação de outras entidades, ONGs ou população-meta e
dizer, de forma genérica, como as mesmas estão envolvidas no
projeto;
-
A integração do projeto com outras
atividades no âmbito da Unidade, definindo claramente sua relação
com outros projetos previstos ou em execução;
-
A capacidade do executor do projeto,
para cumprir as tarefas que o mesmo exige e apoios que se façam
necessários para assegurar que os resultados previstos serão
alcançados.
Objetivos Gerais
Os objetivos globais de um País
relativos a uma determinada área de atuação são expressos por meio
de uma política. É comum que esta política esteja definida no
planejamento geral do País ou do Estado, com perspectivas de longo
prazo e uma estratégia geral estabelecida.
Para
alcançar o objetivo global, são definidos objetivos específicos,
geralmente organizados por áreas temáticas ou geográficas, para as
quais são elaborados projetos que contribuem para levar a esse objetivo
global. Dificilmente um projeto, de forma isolada, pode assegurar que
sejam atingidas, por exemplo, as metas da Política de Meio Ambiente do
País.
No
caso das unidades de conservação, os objetivos gerais de cada programa
e subprograma já estão definidos no Plano de Manejo e os projetos
devem contribuir para que esses objetivos sejam alcançados. Isto
facilita a identificação dos objetivos específicos dos projetos. No
caso de não existir o Plano de Manejo, os projetos geralmente são
dirigidos a corrigir problemas identificados e, especialmente neste
caso, deve sempre ser verificado como cada um desses projetos contribui
para as finalidades básicas da Unidade.
Objetivos
Específicos
O objetivo ou objetivos específicos
são aqueles que devem ser alcançados por meio do projeto proposto.
Enquanto os objetivos gerais são de nível maior e, portanto, definidos
de forma genérica, os objetivos específicos devem ser definidos de
forma muito clara. Devem relacionar os resultados a serem alcançados e
os impactos esperados com a execução do projeto, por meio de
indicadores que possam ser quantificados e/ou qualificados, definindo
metas parciais e finais para o projeto.
A
definição dos demais elementos do projeto está diretamente ligada à
compreensão clara dos objetivos específicos. Grande parte da
dificuldade de organização e deficiências na execução dos projetos
deriva de uma definição equivocada ou insuficiente dos objetivos
específicos. Estes objetivos devem ser especificados em função das
mudanças concretas em matéria de comportamento, condições ou
situações que o projeto deve propiciar e, ao mesmo tempo, contribuir
para o objetivo geral estabelecido.
Os
objetivos específicos são de mais fácil definição quando se referem
à obtenção de resultados por meio de ações singulares e completas.
Este é o caso da execução de um estudo, da demarcação de uma área
etc. Com freqüência, as ações propostas estão orientadas a
mudanças de mentalidade e ao desenvolvimento de atividades que tenham
continuidade. Nestes projetos a formulação de objetivos específicos
deve estar orientada à obtenção de resultados e impactos
permanentes.
Os
objetivos devem ser realistas, considerando o tempo, os recursos
financeiros e humanos disponíveis, tanto aqueles aportados pelo projeto
quanto os permanentes para manter e operar os resultados obtidos. Da
mesma forma, não se deve formular um objetivo para um determinado
volume de recursos julgado disponível, mas dimensioná-lo de acordo com
os problemas ou oportunidades a serem atendidas. Deve-se considerar
também etapas que permitam sua execução com quantias variáveis de
recursos, especialmente os financeiros.
Um
projeto deve ter um número limitado de objetivos específicos e muitos
têm um único. Quando se identificam muitos objetivos específicos,
torna-se necessário organizá-los em mais de um projeto, para evitar
uma grande complexidade na execução, ou então dividi-lo em
subprojetos, que geralmente são organizados por área temática ou
geográfica.
Para
cada objetivo específico devem ser definidos os resultados e impactos
esperados e especificados os indicadores que demonstrem que foram
alcançados. Quando um projeto se estender por mais de um ano, a
programação de atividades pode tomar a forma de um plano plurianual,
no qual são especificados resultados e ações para cada ano, bem como
os recursos exigidos em cada etapa. Os objetivos específicos podem ser
alcançados progressivamente em cada etapa de execução, mas os
impactos desejados geralmente só são alcançados ao final do
projeto.
Todo
objetivo específico deve ser apoiado, no mínimo, por um resultado.
Caso não lhe corresponda nenhum, é necessário reformular o objetivo,
pois provavelmente não se trata de um objetivo, mas de um resultado ou
mesmo de uma ação.
Resultados
Os resultados são elementos que, ao
integrar-se, levam à obtenção de um ou mais objetivos especificados.
São elementos tangíveis que o projeto deve produzir para alcançar os
objetivos propostos. Derivam diretamente dos objetivos específicos,
pois são os efeitos das ações que devem ser realizados para alcançar
esses objetivos.
É
importante salientar que muitas vezes se faz confusão entre resultados
de realização e resultados do projeto ou impactos do projeto. Na
terminologia adotada neste documento, os resultados de realização
correspondem ao cumprimento das tarefas (ex.: aquisição de insumos –
veículos ou equipamentos de vídeo; a preparação dos termos de
referência) e deverão ser especificados no projeto ao nível do Plano
Operativo Anual - POA - quando o projeto se estende por mais de um ano (ver:
Programação
Operacional deste GUIA), , servindo para o
acompanhamento da execução física e financeira. Sua verificação é
feita sobre indicadores relacionados diretamente com a programação. Os
resultados de impacto podem ser aferidos a partir de indicadores
internos ou externos à programação, os quais podem ser também
levantados de forma independente ao projeto. Em treinamento, por
exemplo, podemos ter a realização de vários cursos, como resultado de
realização, mas os resultados de impacto serão aferidos pela melhora
da qualificação do pessoal treinado e a alteração que isto ocasiona
em seu desempenho.
Os
resultados devem ser descritos de forma clara e verificável. Ao
defini-los deve-se assegurar que seja determinado com razoável
facilidade se ocorreram, quando isso aconteceu e se têm a qualidade
especificada. Se esses elementos não podem ser identificados em um
resultado programado, é preferível reformulá-lo.
Existe
pelo menos um e é provável que haja mais de um resultado para cada
objetivo específico, sendo indispensável que sejam descritos todos os
resultados necessários para alcançar cada objetivo. Também pode
ocorrer que um resultado apóie mais de um objetivo específico. Neste
caso é necessário referir-se a todos os objetivos apoiados. A
descrição é feita por meio de indicadores e sua quantificação ou
qualificação define as metas a serem obtidas (ver "indicadores
e metas" deste
GUIA).
Atividades
As atividades do projeto originam-se
diretamente dos resultados a serem obtidos e constituem-se em uma ou
mais tarefas concretas que serão executadas para a obtenção do mesmo.
Se uma atividade não está orientada para a obtenção de resultado do
projeto, não deve ser incluída no mesmo, o que significa que o projeto
não é um meio para executar tarefas, em especial as de rotina, que
não sejam vinculadas a seus resultados.
A
cada resultado corresponderá pelo menos uma atividade. Devem ser
enumeradas todas as atividades necessárias para produzir um resultado,
mostrando sua relação. Geralmente necessitam-se várias atividades
para a obtenção de um resultado e algumas podem contribuir para mais
de um resultado, o que deve ser indicado, quando ocorrer.
Também
deve ser indicada a duração prevista de cada atividade e seu início
dentro do período do projeto, se depende de outras ações para ser
executada e quem é responsável por sua execução. Isto se completa
com a definição de insumos necessários à sua
realização.
Matriz de Planejamento
Para a consolidação e melhor
visualização do projeto, deve ser elaborada uma matriz de
planejamento. O modelo de matriz indicado a seguir, contém os objetivos
gerais e específicos do projeto, os resultados, as atividades básicas,
os indicadores para verificar se os resultados foram alcançados, as
fontes onde esses indicadores podem ser verificados, os pressupostos1
sob os quais o projeto deve ocorrer e a estrutura quantificada dos
recursos necessários. Esta matriz tem os elementos que a constituem
descritos no quadro 1, a seguir. O quadro 2 apresenta um
exemplo de matriz de planejamento de um projeto.
Insumos
Os insumos são os meios necessários
para a realização do projeto, quer sejam equipamentos, material de
consumo, pessoal, bolsas, diárias, passagens etc. São determinados
depois da definição dos objetivos gerais e específicos, resultados e
atividades, já que podem ser facilmente identificados como os elementos
necessários para se cumprirem as tarefas de cada atividade.
Em
um projeto devem ser indicados todos os insumos necessários à
execução das atividades e obtenção dos resultados esperados. Uma vez
identificados todos os insumos necessários, devem ser destacados
aqueles que podem ser assegurados pelo executor diretamente (pessoal,
espaço físico, equipamentos) e os outros que devem ser adicionados
pelo projeto.
A
definição dos insumos não deve ficar em uma simples quantificação,
mas conter uma descrição mínima que permita conhecer o tipo e a
qualidade do insumo referido; essa descrição deve ser suficiente para
assegurar que o insumo proposto seja adequado ao projeto.
Especial
atenção deve ser dada ao pessoal necessário à execução do Projeto.
Deve-se especificar o nível de conhecimento, a especialidade e a
experiência dos técnicos a serem envolvidos. Estes técnicos deverão
ter disponibilidade para cumprir as tarefas geradas pelo Projeto, não
tendo seu tempo comprometido com outras ações, já que no serviço
público freqüentemente os recursos humanos são comprometidos em
tarefas diversas sem a verificação real de sua
disponibilidade.
Orçamento
A partir da definição dos insumos
necessários, é possível especificar os custos do Projeto dentro dos
principais itens do orçamento, divididos em investimentos
(equipamentos, obras, serviços de consultoria2) e custos correntes
(passagens, diárias, serviços de terceiros de pessoas físicas e
jurídicas), de modo a demonstrar como serão utilizados os
recursos.
Deve-se
ter presente que, considerando o critério da sustentabilidade, os
projetos que resultem em atividades permanentes de manutenção e
operação terão custos que seguirão incidindo sobre a instituição
responsável após seu término. Estes recursos devem estar assegurados
para evitar que os resultados do Projeto sejam perdidos.
Quando
os projetos utilizam recursos de mais de uma fonte, deve-se especificar
com que valor e para que atividades cada uma contribui.
Cronograma
A partir da definição das
atividades do projeto, sua inter-relação com outras ações e seu
encadeamento lógico, deve ser preparado um cronograma geral para todo o
período de execução, no qual devem constar o desenvolvimento físico
e os gastos financeiros correspondentes.
Neste
cronograma serão indicados os tempos reais para a execução das
ações, pois é comum subestimar-se os mesmos, principalmente quando
são tarefas de cujo teor os técnicos têm pouco conhecimento
(licitações, prazos mínimos exigidos por procedimentos obrigatórios
para o uso dos recursos, prazos mínimos para a tramitação de
convênios), o que resulta em programações impossíveis de serem
cumpridas. Outro aspecto a ser considerado são os problemas de ordem
estrutural, que atuam como condicionantes na execução do projeto
(época de liberação efetiva de recursos) e que resultam em menos de
doze meses de execução efetiva em cada ano.
O
cronograma deverá apresentar em um gráfico de barras os períodos de
execução das ações, distribuídas ao longo do Projeto; por
algarismos, indicar os percentuais a executar em cada ano (no caso de
projetos em revisão, o percentual já executado) e os custos totais
estimados para cada ação básica (ver F2-Ciclo de Planejamento do GUIA DE CHEFE).
Executor
É essencial em qualquer projeto a
especificação do perfil de seu executor. Na maioria dos casos, esses
executores são institucionalmente indicados pela estrutura
administrativa do Governo. Mas é importante analisar qual a capacidade
real do órgão para executar o projeto e como se insere dentro da
instituição responsável. Deve ser analisado ainda o conjunto de
atividades a serem cumpridas para a realização do projeto e a
disponibilidade do executor em termos de pessoal treinado para as
atividades do Projeto, equipamentos e capacidade gerencial para
cumpri-las.
Para
definir a estrutura operacional da execução do projeto, sugere-se que
a estrutura funcional (necessária para executar o projeto) seja
projetada sobre a estrutura institucional já existente, identificando
os pontos que devem ser reforçados, ou reformulando o projeto para que
esteja dentro da capacidade de execução da instituição.
Não
convém criar núcleos específicos para a execução do projeto, uma
vez que estes ficam sem função após o seu término. Com freqüência,
estes núcleos não permitem a internalização do Projeto no órgão
responsável. No entanto, parcerias para a execução tornam-se úteis
quando conduzidas de forma correta (veja item O deste GUIA). Não
esquecer que, quando o executor é o próprio elaborador do projeto, a
análise institucional também faz-se necessária, o mesmo ocorrendo em
caso de parcerias.
Riscos
Apesar de ser um exercício de
planejamento que pretende explicitar e definir as condições
necessárias e suficientes para que um determinado objetivo seja
atingido, um projeto pode ser afetado por vários fatores fora do
controle de seus responsáveis. Deste modo, há uma dependência entre o
projeto e o arcabouço legal, institucional e comportamental no qual
está inserido. Desta situação surgem riscos que podem atrasar ou
mesmo impedir a realização do projeto, os quais devem ser
identificados para que se possa estimar a possibilidade real de
execução.
Alguns
fatores que dificultam a execução de um projeto são condicionantes
para qualquer projeto, tais como atrasos na liberação do orçamento ou
complexidade de procedimentos de aquisição. Não devem, neste caso,
ser considerados como fatores de risco específicos, ainda que devam ser
tratados como pressupostos.
Os
riscos podem ser classificados em dois tipos:
-
Aqueles
que já existem ao se formular o projeto, podendo pôr em dúvida
sua exeqüibilidade e implicam na reformulação do mesmo (exemplo:
a impossibilidade de colocação da contrapartida por parte de um
executor, quando isso for exigido);
-
Os
riscos potenciais que podem vir a ocorrer durante sua execução e
que prejudicariam o projeto a ponto de inviabilizá-lo (exemplo: a
reação contra um projeto por parte da população local).
Quaisquer
dos tipos de risco acima referidos devem ser tratados de forma
explícita, realizando-se ajustes no projeto para evitar os primeiros e
estimando a possibilidade real de desenvolvimento dos segundos. Deve-se
propor meios de mantê-los sob controle e acompanhamento.
Para
tanto, devem ser enumerados os riscos que podem resultar em atraso na
execução do projeto o impedir que sejam alcançados os resultados
previstos. Para cada um dos riscos citados, devem ser propostas medidas
que possam evitar ou minimizar seus efeitos, concentrando-se nos riscos
prováveis e não nos simplesmente concebíveis. Também devem ser
evitados nessa relação os riscos extremamente prováveis, pois esses
já devem estar contornados na formulação do projeto.
Recomenda-se
que, para identificar os riscos, se inicie com os elementos mais simples
do projeto, ou seja, pela real possibilidade de obter os insumos nos
prazos em que serão necessários, já que a falta de um deles poderá
comprometer todo o arcabouço lógico estruturado para a obtenção de
um resultado.
Depois
de analisados os insumos quanto aos riscos, devem ser verificadas as
atividades e os resultados e assim sucessivamente, não esquecendo os
objetivos específicos e os gerais, para determinar os riscos
fundamentais que o projeto deve sofrer.
Sem
estender demasiado, para uma melhor compreensão do alcance de um risco
identificado, é conveniente descrever o processo que o desencadeia, de
forma a permitir que seja visualizado. Por exemplo, o efeito da
indisponibilidade de um insumo nos resultados e objetivos específicos.
A consideração dos riscos leva à composição de cenários ou
situações nos quais o projeto teria êxito. Estas situações são
denominadas pressupostos. Isto significa que, ao elaborar o projeto,
são presumidas determinadas situações nas quais o projeto pode ser
realizado; estas situações presumidas têm de estar dentro da
realidade. Só são pressupostos os fatores ou condições externas ao
projeto que podem influenciar na sua execução e não podem ser
modificados pelo projeto.
Avaliação do Projeto
A chefia da unidade de conservação
tanto pode elaborar projetos como ser responsável pela sua avaliação.
No caso de elaborar, seus projetos serão avaliados por outros. Convém,
portanto, que o próprio autor o avalie anteriormente para verificar sua
coerência, concisão e forma de apresentação. As indicações a
seguir orientam a avaliação de um projeto próprio ou de terceiros.
Todo projeto submetido a um financiador sofre avaliações. Cada um tem
seus critérios específicos. No entanto, normalmente os principais
critérios adotados para a análise dos projetos são:
-
A
coerência com os objetivos gerais, que são, em geral,
estabelecidos para uma área ou tema;
-
A
exeqüibilidade, em função da metodologia de trabalho e
estratégias propostas;
-
A
sustentabilidade, no sentido da permanência de seus efeitos após o
término do projeto;
-
A
relação custo/benefício, considerada freqüentemente nos projetos
ambientais como o menor custo para a produção dos efeitos
desejados.
Os itens relacionados a seguir para
revisão e avaliação dos projetos não esgotam o assunto, mas auxiliam
neste exame:
CAPA
Deve conter os seguintes elementos:
Programa
- Nome: (Colocar o nome completo do programa, caso o projeto faça parte
de um deles)
Subprograma ou
Componente - Nome: (Colocar o nome do subprograma ou componente,
se o programa integra um desses elementos).
Projeto:
Nome do projeto
Descrição
sumária que o identifique
voltar
CONTEXTO
-
Esclarece
a situação em que o projeto deve ocorrer?
-
Como
está integrado dentro dos objetivos gerais definidos para o
programa ou subprograma de que faz parte?
-
Como
se ajusta com outros projetos existentes na mesma área?
voltar
JUSTIFICATIVA
-
Esclarece-se
nesta parte o problema que se quer resolver?
-
Está
definida claramente a situação atual e a que deseja alcançar ao
final do projeto?
-
Foram
identificados os benefícios previstos e se tem sentido executar o
projeto para os mesmos?
-
Foram
consideradas outras maneiras de resolver o problema e se explicou
porque se optou pela forma proposta no projeto?
-
Foram
consideradas as lições aprendidas com as avaliações do projeto
feitas até agora (no caso da revisão do projeto) ou as de outros
similares, se ainda não foi iniciado?
-
Foram
examinados os dados da monitoria ou outros documentos já produzidos
sobre o projeto?
-
Explica-se
porque deve ser financiado o projeto ou seguir financiando, no caso
dos projetos que já integram um programa?
-
Foram
consideradas a participação do setor privado, ONGs ou outras
formas de organização social?
-
Estão
descritos os mecanismos para coordenar o projeto com outras ações
na mesma área?Estimou-se de forma adequada o apoio que a
instituição responsável pela área dará ao projeto?
voltar
OBJETIVOS GERAIS
voltar
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
-
Existe
uma relação direta definida entre os objetivos específicos do
projeto e os objetivos gerais para os quais deve contribuir?
-
Alcançar
os objetivos específicos contribui para os objetivos gerais
definidos para o Programa?
-
Os
objetivos específicos são descritos de forma clara, direta e sem
ambigüidade, utilizando termos compreensíveis para qualquer pessoa
não envolvida no projeto?
-
A
descrição corresponde aos resultados a serem obtidos com os
recursos do projeto?
-
É
possível determinar se os resultados descritos serão de fato
alcançados e quando?
-
A
descrição dos objetivos permite estabelecer indicadores de
progresso para o monitoramento durante a execução do projeto?
-
Formam
os objetivos um conjunto administrável, que não é excessivamente
amplo e complexo?
-
Está
cada um dos objetivos específicos apoiado em, pelo menos, um
conjunto de resultados, ações e insumos?
voltar
RESULTADOS
-
É
possível determinar, pela descrição dos resultados, se cada um
vai ser produzido e quando isto acontecerá?
-
Foram
identificados todos os resultados necessários para alcançar os
objetivos?
-
Está
cada resultado conectado a um ou mais dos objetivos especificados?
-
Todos
os resultados identificados resultam diretamente do projeto em
questão?
-
Apóia-se
cada resultado em, pelo menos, um conjunto de ações?
voltar
ATIVIDADES
voltar
INSUMOS / RECURSOS
-
Foram
enumerados todos os insumos necessários para completar as
atividades do projeto e chegar aos resultados propostos?
-
Os
insumos propostos se ajustam às normas e diretrizes do
executor/financiador, em especial quanto ao pessoal, equipamentos,
obras, custos correntes etc.?
-
Os
insumos propostos são adequados às condições do local do projeto
e às necessidades e capacidade dos usuários durante e depois do
projeto?
-
Foi
verificada a real contribuição de insumos que pode dar a
instituição responsável pelo projeto?
-
Existe
uma correspondência correta entre os insumos, a duração das
atividades e o orçamento do projeto?
voltar
ORÇAMENTO
-
Estão
considerados todos os insumos/recursos no orçamento apresentado?
-
Está
o orçamento dentro dos limites de recursos disponíveis para os
projetos previstos no programa de que deveria fazer parte o projeto
em análise?
-
Estão
considerados os preços reais dentro da data-base estabelecida?
voltar
CRONOGRAMA
-
Estão
os prazos previstos para a realização das atividades calculados de
forma realista?
-
Estão
consideradas as dependências entre atividades na organização de
uma seqüência de execução?
-
Estão
previstos no cronograma os condicionantes de nível maior que
limitam a execução do projeto em determinados períodos do ano?
-
Estão
definidas as metas físicas a serem alcançadas a cada ano do
projeto e as datas em que as mesmas serão obtidas?
-
Estão
distribuídos ao longo do período os recursos financeiros
necessários para cumprir as atividades?
voltar
EXECUTOR
-
Foi
definida a instituição responsável pelo desenvolvimento do
projeto?
-
Está
definido o nível decisório responsável pelas medidas que
asseguram a execução do projeto?
-
Estão
identificados os responsáveis pelas funções técnicas,
administrativas, programáticas e de monitoria, de modo a conhecer
dentro da instituição executora que será responsável por cada
uma delas?
-
Foi
verificada a capacidade executiva da instituição responsável e os
eventuais reforços que deve receber para assegurar a realização
do projeto?
-
Existe
pleno conhecimento e comprometimento dos executores propostos para
com o projeto?
voltar
RISCOS
-
Foram
determinados os riscos que com o tempo poderiam aumentar, ao ponto
de impedirem ou atrasarem o projeto?
-
Existe
já neste momento um risco muito grande de fracasso do projeto? Vale
a pena continuar com ele nessas condições?
-
Seria
possível diminuir o risco de fracasso do projeto se a solução do
problema a que está orientado fosse enfocada de outra maneira?
-
O
exame de riscos indica que o projeto deva ter um acompanhamento
especial com exames técnicos, avaliações periódicas ou
apresentação de relatórios com maior freqüência?
voltar
CONDIÇÕES GERAIS
-
O
projeto considerou as condições específicas de uso dos recursos
do financiador? Atende a essas condições?
-
Existe
algum documento legal já estabelecido entre o executor e o
financiador? Tem de ser revisto ou renovado?
-
No
caso de um projeto necessitar acompanhamento especial, isso foi
considerado no cronograma e no orçamento?
-
Como
está assegurada a sustentabilidade do projeto após o seu término?
-
Foi
proposta a melhor forma de executar este projeto, considerando as
diversas modalidades de trabalho, possíveis executores e a
participação de entidades não-governamentais ou outras similares?
voltar
APRESENTAÇÃO
Além
do texto e da matriz de planejamento do projeto, sugere-se que este
seja apresentado também em forma de programação, utilizando o formato
constante no GUIA DE CHEFE, o que facilita a sua análise.
voltar
|