Reserva Extrativista do Alto Juruá

Histórico
A ocupação do Acre, como de toda a região Amazônica, começou com a busca de produtos da floresta com valor de venda no estrangeiro.

No século XIX, a extração do látex começou a ser feita pelos índios no baixo Juruá e no Purus. Essa borracha era vendida para comerciantes de Manaus e Belém que viajavam nesses rios comprando também erva-doce, canela, banha de tartaruga, óleo de copaíba, cacau e salsaparrilha. A borracha era o principal produto.

Com a seca no Nordeste nos anos 1877 e 1880, milhares de trabalhadores rurais nordestinos, famintos e sem trabalho saíram em busca de uma vida melhor. Muitos deles decidiram tentar a vida nos seringais da Amazônia.

Com a falência de seringalistas e Companhias importadoras e exportadoras de Manaus e Belém, os antigos empregados e gerentes passaram a operar o comércio itinerante como patrões locais e alguns deles residindo na mesma área que antes trabalhavam. As importações de alimentos foram substituídas pela produção local de farinha e outros produtos. Os seringueiros passaram a formar famílias maiores, dedicando-se à caça, à pesca e à coleta de outros produtos da floresta. A venda desses produtos era feita através dos patrões locais, ou através de regatões.

Com a Segunda Guerra Mundial, surge no mercado a borracha sintética, substituindo parcialmente a borracha natural. Na Amazônia, entre 1943 e 1985, o governo federal passou a apoiar e a estimular diretamente a borracha dos seringais nativos e o preço passou a ser administrado.

Nessa mesma época, O Instituto de Colonização e Reforma Agrária validou os títulos deterras no Acre. Os bancos federais financiaram os seringalistas com taxas de juros subsidiados. Essa política não beneficiava os seringueiros, mas gerou uma reação do setor industrial contra toda a atividade extrativa.

Em 1985, quando a inflação atingiu os dois dígitos mensais, o governo abandona a política de sustentação dos preços reais da borracha natural. Os adiantamentos a longo prazo são suspensos. Os seringalistas daquela região passam a se interessar pela extração madereira. Em 1986 foi criada uma expedição de cobrança de dívidas com o apoio de policiais, provocando revolta dos seringueiros e moradores do rio Tejo e do seringal Restauração, que de pronto realizaram uma manifestação, cujo resultado foi a saída dos policiais da área. Nesse mesmo ano e no ano seguinte os seringueiros ficaram muito apreensivos com as pesquisas sobre o potencial madereiro e os contatos preliminares para a instalação de infra-estrutura. Esse foi o contexto imediato para o projeto de criação de uma Reserva Extrativista na área, idéia ventilada pela primeira vez em 1987, em reunioes sindicais no seringal Restauração, quando o Conselho Nacional dos Seringueiros havia incluído em seu calendário de atividades um encontro dos seringueiros na micro-região.

Em 1988, com o início da atuação do Conselho Nacional dos Seringueiros na micro-região do Alto Juruá é realizado um levantamento preliminar na bacia do rio Tejo e é elaborado o projeto para criação da primeira Reserva Extrativista do Brasil. A Procuradoria Geral da República, em 1989, solicitou à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) a qualificação ecológica da região e, em 23 de janeiro de 1990, o Governo Federal através de Decreto nº 98.863, criou a Reserva Extrativista do Alto Juruá.

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