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Ibama e Jaxa discutem monitoramento da Amazônia PDF Imprimir E-mail

Brasília (03/02/2012) - O presidente do Ibama, Curt Trennepohl, informou anteontem ao diretor-executivo da Agência de Exploração Aeroespacial Japonesa (Jaxa), Hideshi Kozawa, que "o satélite japonês ALOS foi uma ferramenta de trabalho importantíssima para defender a Amazônia", ao permitir identificar desmatamentos mesmo em períodos de alta cobertura de nuvens.

Por usar sistema de radar, o satélite japonês conseguia capturar imagens de áreas florestais devastadas, independente da quantidade de nuvens, complementando as informações obtidas por outros satélites empregados no monitoramento da Amazônia. A partir das imagens do ALOS, técnicos do Centro de Sensoriamento Remoto do Ibama identificaram mais de 2 mil polígonos de desmatamento em dois anos de análise de imagens de radar.

"Grande parte do sucesso do nosso trabalho e da redução do desmatamento é mérito da Jaxa", declarou o diretor de Proteção Ambiental, Ramiro Hofmeister Martins-Costa, que, ao lado do chefe do Centro de Monitoramento Remoto, Edson Sano, participou da audiência entre o presidente do Ibama e a delegação japonesa. O diretor observou que, em função da queda da taxa de desmatamento, o Brasil deverá cumprir antecipadamente a meta assumida voluntariamente de chegar a 2020 com redução de até 38,9% das emissões de gases causadores do aquecimento global.

Martins-Costa relatou ainda que historicamente o aumento da derrubada da floresta estava atrelado ao preço de commodities, como soja e gado, e que entre 2001 e 2004 a curva do desmatamento passou a crescer de forma sólida. Por isso, o governo brasileiro lançou o Programa de Proteção e Combate de Desmatamento da Amazônia (PPCDAM), prevendo ações como presença mais constante na região, parceria da Polícia Federal, Ibama e demais instituições em operações de combate à exploração ilegal da floresta, monitoramento por satélite (o que inclui o acordo de cooperação com a Jaxa), entre outras.

Com o PPCDAM, os infratores mudaram a dinâmica. Deixaram de explorar grandes áreas de uma só vez, pulverizando os cortes (80% dos desmatamentos detectados em 2010 eram em áreas menores de 50 hectares). Também anteciparam o corte da floresta para o início do ano, reduzindo a atividade na época seca (de julho e dezembro) para fugir ao olhar dos satélites ópticos que tinham a capacidade de detecção reduzida quando havia muitas nuvens. Esse problema pode ser contornado com o satélite ALOS. O diretor-executivo da Jaxa ficou impressionado com o aproveitamento das imagens do satélite japonês.

O chefe do Centro de Sensoramento Remoto do Ibama acrescentou que já está em negociação a continuidade do acordo de cooperação com a agência japonesa. Uma das atividades desse novo acordo prevê a produção e validação de mapas de floresta e não-floresta e de biomassa vegetal da Amazônia e do Cerrado.

Ascom/Ibama

 

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