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Bugio ruivo é reintroduzido em área rural de Porto Alegre PDF Imprimir E-mail
Porto Alegre (22/06/12) - Encontrado no lado oriental do estado do Rio Grande do Sul, o Alouatta clamitans, mais conhecido como bugio ruivo é personagem alvo de um projeto de monitoramento que está em andamento no Núcleo de Fauna da superintendência do Ibama no Rio Grande do Sul (Nufau). O projeto abrange a Região Metropolitana de Porto Alegre onde o bugio é presença constante e inclui o monitoramento dos grupos populacionais e ameaças as quais estão sujeitos (febre amarela e mutilações na rede elétrica, entre outras), e em especial, os riscos do convívio com humanos (acidentes, agressões e apreensões) motivados pela crescente urbanização da cidade rumo às áreas naturais. O projeto também contempla a reintrodução, tanto de indivíduos quanto de grupos.

Para tanto, já estão sendo monitorados alguns grupos de bugios que estão sob pressão antrópica e sofrendo agravos de todo tipo (falta de alimento, dificuldade de deslocamento) inclusive gerando a necessidade de recolher os animais.

Como caso específico, o projeto realizou um processo de reintrodução de um bugio ruivo macho, resgatado no Morro São Pedro (localizado na zona sul de Porto Alegre), que teve fratura exposta de fêmur causada por crianças moradoras do entorno. O animal foi recolhido pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMAM) e enviado para uma clínica veterinária cadastrada junto ao Ibama, onde foi tratado. Depois de colocado um pino intramedular o bugio ficou em recuperação durante quatro meses até receber alta.

Ao mesmo tempo, uma equipe conjunta do Ibama e SMAM realizou vistorias no local de recolhimento do animal, verificando a possibilidade de reintrodução do indivíduo. Segundo o chefe do Núcleo de Fauna, Paulo Carniel Wagner, a situação ideal é o animal voltar ao seu local de origem. Na ocasião foram feitos contatos com a população local para explicar como devem proceder com a fauna local, evitando agredi-los e dar alimentos. “Para fim de processo reintrodutivo foi contatada a ONG Associação Novo Encanto de Desenvolvimento Ecológico, que se dispôs a auxiliar, franqueando a entrada na sua propriedade, localizada ao lado do Morro São Paulo, área original do animal”, explica Paulo Wagner.

O local foi considerado apto para fazer a pré-soltura do bugio ruivo. O animal foi transferido para o local e permaneceu três dias em um recinto. Neste período, um grupo local de bugios, foi até o local onde estava o recinto e fez contato visual com o animal. Finalmente no dia 1º/06 a equipe certificou que as condições do bugio ruivo eram boas, ele permanecia tranquilo e dessa forma, foi efetuada a abertura do recinto.

Segundo o chefe do Nufau, depois da soltura, o animal se deslocou para o dossel das árvores, iniciando contato visual e sonoro, com os grupos de bugios daquela região. A partir de agora prosseguirá o monitoramento do grupo.

Segundo Paulo Wagner, além deste está sendo formado grupo familiar de bugios ruivos (inclusive mutilados por fios elétricos) que será transposto para ambiente de semicativeiro na Lagoa dos Patos, com objetivo de oferecer santuários para animais que sofreram efeitos antrópicos extremos. O grupo será monitorado afim de verificar: adaptação; capacidade de se manter coeso; busca de alimentos e processos reprodutivos. Esse projeto é realizado em conjunto entre Ibama e Secretaria Municipal de Meio Ambiente e estão sendo iniciado contatos junto à Universidades para monitoramento e planejamento.

Maria Helena Firmbach Annes
Ascom – Ibama/RS
Foto: Núcleo de Fauna Ibama/RS
 

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