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TAMANDARÉ

O nome da cidade de Tamandaré tem origem no vocábulo tupi tab-moi-inda-ré, "o repovoador" que, segundo a lenda, era um pajé a quem o grande Deus dos trovões, Tupã, avisou que iria exterminar os homens. Assim, quando houve o dilúvio, Tamandaré já se encontrava na arca com sua família, onde ficou até o fim das chuvas, voltando em seguida às terras secas para reiniciar o seu povoamento.

O Barão de Tamandaré, almirante Joaquim Marques Lisboa, do Rio Grande do Sul, depois de combater vários movimentos da época do Império, comandou a esquadra em que D. Pedro II foi a Pernambuco em 1859. O almirante pediu permissão para passar pelo porto de Tamandaré e recolher os ossos de seu irmão – major revolucionário – a fim de levá-los ao jazigo da família no Rio. O imperador concordou e ainda outorgou ao almirante o título de Barão de Tamandaré. Assim, ao contrário do que se pensa, foi o município que deu nome ao Barão – patrono da Marinha brasileira – e não o inverso.  

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 Localização

Em 1789, Rio Formoso fazia parte da vila de Sirinhaém. A divisão administrativa de 1911 faz referência aos distritos de Rio Formoso (sede), Propriedade de Una e Tamandaré. Na divisão administrativa de 1933, o município de Rio Formoso é desmembrado em quatro distritos: sede, Tamandaré, Cucaú e Santo André. Depois de muito buscar sua independência, finalmente, em 28/09/1995, pela Lei nº 11.257, o município foi emancipado. Um dos primeiros passos foi a promulgação do Código de Postura do município, em 26 de dezembro de 1997, que defende posições avançadas nas áreas de higiene pública, queimadas e cortes de árvores e pastagens, exploração de pedreiras, areia e saibro, bem como cuidados e proteção com animais domésticos. Ao mesmo tempo, este Código, já em plena vigência, é absolutamente pioneiro quanto à postura diante da preservação ambiental e garantia do desenvolvimento sustentável, protegendo seu meio ambiente e seus mananciais e dando atenção inteiramente inovadora e revolucionária ao ambiente marinho, manguezais e praias.

A luta pela independência é uma constante da história da região de Tamandaré e teve início na resistência aos holandeses. A 500 metros do mar, foi construído o forte de Santo Inácio, um dos mais importantes marcos da história de Pernambuco. Em duas ocasiões os habitantes da região enfrentaram os holandeses: em 1654, quando 1.500 homens reuniram-se na baía de Tamandaré e, aos gritos de Deus e Liberdade, dirigiram-se para Rio Formoso, onde derrotaram os invasores. Um mês depois, estes retornaram, em número bem maior, e derrotaram os luso-brasileiros que, sabendo-se perdidos, em batalha naval na baía, queimaram seus barcos e, para não se entregarem, preferiram se afogar.

local2.jpg (34512 bytes) O forte de Santo Inácio, conhecido como forte de Tamandaré, também esteve presente na guerra dos Cabanos, durante o Império (1831-36), quando foi ocupado pelas forças legais, tendo ainda servido de prisão temporária para os revoltosos que aguardavam embarque para Fernando de Noronha e Recife.

Na II Guerra Mundial, o forte de Santo Inácio abrigou as tropas do Exército que protegiam a costa brasileira. Atualmente encontra-se em péssimo estado de conservação ao lado do farol, inaugurado em abril de 1902, cujo alcance é de 14 milhas em tempo claro.

O município de Tamandaré é ladeado pelos rios Formoso e Mamucaba e este – um dos últimos rios não poluídos de Pernambuco, com nascente na Reserva Biológica de Saltinho, administrada pelo IBAMA – é responsável pelo abastecimento de água da cidade. A região foi, desde o início, importante centro econômico, por ser naturalmente favorecida por uma ampla rede fluvial, hoje substituída por uma malha rodoviária prevista para atender o escoamento da produção açucareira. A economia da região de Tamandaré baseia-se, desde o período colonial, na monocultura da cana-de-açúcar. É em função do plantio da cana-de-açúcar que se verifica a ocupação do solo – grandes propriedades com plantações de cana – o que provoca a saída da população jovem em busca das grandes cidades e de novos empregos. Também o comércio funciona em torno da atividade agrícola, sendo incrementado nos meses de moagem e entrando em declínio no resto do ano.

A pesca é uma das principais atividades da população litorânea. A Colônia de Pescadores Z-5, com 510 associados, estimula a atividade com o atendimento às necessidades mais urgentes de seus associados, tais como a aquisição de barcos motorizados, construção de viveiros e estímulo à comercialização, além de ajudar seus associados na construção de casas, cestão popular e horta comunitária. farol.gif (9353 bytes)

Nesses anos de convivência com a comunidade pesqueira de Tamandaré, o papel do CEPENE tem sido de fundamental importância, tanto do ponto de vista econômico quanto social, gerando pesquisas, aprimorando tecnologias, promovendo assistência técnica e social, treinando e empregando mão-de-obra local e repassando conhecimento. Presença constante e integração completa com a comunidade que, há 15 anos, acolheu o Centro e seus jovens pesquisadores.