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Maior apreensão em dez anos resgata 383 tartarugas-da-amazônia em Roraima

Publicado: Sexta, 06 de Novembro de 2015, 19h38 | Última atualização em Sexta, 05 de Maio de 2017, 15h24

Brasília (06/11/2015) – Operação conjunta do Ibama, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da Polícia Ambiental de Roraima (Cipa) finalizada na última quarta-feira (04) resultou na maior apreensão e soltura de tartarugas-da-amazônia adultas nos últimos dez anos.

Os animais, que chegavam a pesar 70 kg, eram transportados em embarcações por duas quadrilhas de traficantes na região do Baixo Rio Branco, no município de Caracaraí (RR). Os criminosos foram surpreendidos em dois locais: a 90 km e a 180 km do centro do município. Foram apreendidas 225 tartarugas com o primeiro grupo, próximo à foz do rio Anauá, e 168 com o outro, perto comunidade de Santa Maria do Boiaçu.

De acordo com os fiscais, as tartarugas estavam aprisionadas há mais de duas semanas em pequenos cercados escondidos na mata. “Eles (os traficantes) afundam as canoas ou as escondem na mata para despistar a localização do cativeiro, aí fica mais difícil, considerando que são mais de 300 km de margens para fiscalizar”, disse Samuel Rodrigues, técnico do Parque Nacional do Viruá, Unidade de Conservação (UC) do ICMBio.

A região possui grandes áreas de desova de tartarugas-da-amazônia (Podocnemis expansa). De acordo com o superintendente do Ibama em Roraima, Diego Milléo Bueno, nesta época do ano os quelônios (animais de casco) estão em fase de reprodução e, por isso, ficam mais vulneráveis. Eles sobem às praias formadas pela diminuição do volume de água nos rios para depositar seus ovos e se tornam presas fáceis para os traficantes, que os recolhem e os levam até os currais. No cativeiro, elas são amontoadas sem água ou alimento, até o dia do transporte.

O método de captura mais comum é também o mais cruel. De acordo com o fiscal do Ibama Sebastião Ferreira Jr., a maioria é capturada com o uso de “capa-sacos”, uma rede de malha grossa que pode chegar a 200m de comprimento. “Eles são estirados de uma margem à outra do rio e ficam abertos para que os animais possam entrar. Há casos em que a gente encontra boto, peixe-boi e outros animais, que muitas vezes acabam morrendo porque os animais não podem subir pra respirar”, disse Sebastião.

A compra e a venda de tartarugas configuram não apenas infração mas também crime ambiental. Seis pessoas foram multadas no valor de R$ 1,5 milhão, totalizando R$ 9 milhões.

Na operação também foram destruídas cinco embarcações e apreendidos 5 motores fluviais. “Além da multa administrativa, o Ibama comunica a ocorrência do crime ao Ministério Público. Eles serão investigados e responderão judicialmente”, disse o fiscal.

Com esta nova apreensão, o Parque Nacional do Viruá totaliza cerca de 1.700 tartarugas-da-amazônia resgatadas da ação de traficantes e devolvidas aos rios da região com vida nos últimos cinco anos. O número é um recorde de apreensão e soltura de tartarugas adultas na região. Desde o início do ano, 590 foram resgatadas.

Segundo Beatriz Lisboa, analista ambiental do ICMBio, o sucesso das operações se deve sobretudo ao trabalho em parceria com o Ibama e a Cipa, às estratégias de inteligência e ao uso de equipamento próprio do parque. “Apesar de todas essas apreensões ocorrerem fora dos limites da unidade de conservação, a gestão do Parque Nacional do Viruá tem feito um grande esforço para viabilizá-las, porque sem a parceria dos órgãos ambientais a população de tartarugas da região seria drasticamente reduzida em poucos anos”.

As ações de combate ao tráfico de quelônios na região serão realizadas até o fim do verão, em abril de 2016, custeadas pelo Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), do Ministério do Meio Ambiente (MMA). As tartarugas apreendidas (algumas com até cem anos) foram devolvidas com vida ao rio Branco.

Assessoria de Comunicação do Ibama com informações da Comunicação do ICMBio
Fotos: Carlos Dantas

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