Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis



Ibama resgata mais uma arara-azul-grande, espécie ameaçada, no Pará

Belém (23/07/2010) – O Ibama resgatou hoje uma arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus) e uma arara-canindé (Ara ararauna) num sítio na zona rural de Barcarena, a cerca de 100 Km de Belém, no nordeste do Pará. As aves estavam em poder do caseiro da propriedade, que acionou o instituto e as entregou espontaneamente. De acordo com a legislação ambiental, quem faz a entrega voluntária de um animal silvestre, mesmo se mantido ilegalmente em cativeiro, não é multado. As araras foram destinadas pelo Ibama ao Zoológico Mangal das Garças, na capital do estado, onde formaram duplas com outras da mesma espécie que já viviam na instituição.

As duas araras, segundo o caseiro, chegaram voando à propriedade, há cerca de um mês. Como não se alimentavam sozinhas, decidiu capturá-las e entregar ao Ibama. Ao chegar ao local, os veterinários do órgão ambiental encontraram a arara-azul, espécie em perigo de extinção, junto com a canindé numa pequena gaiola. Apesar da falta de espaço, os animais estavam saudáveis. “Elas podem ter fugido do recinto onde eram criadas. É comum araras cortarem o arame de gaiolas e escaparem. Elas foram amansadas, e a Canindé vocaliza palavras. Dificilmente poderão voltar à natureza, porque foram humanizadas”, diz o veterinário Mauro Moraes, da Divisão de Fauna e Pesca do Ibama em Belém.

Fim da solidão

Coincidentemente, uma arara-azul resgatada pelo Ibama em Altamira, no sudeste do Pará, havia sido entregue ao Mangal das Garças em junho. Desde então, ela estava sozinha num recinto especial, dado a sua raridade. Uma arara-canindé, ave protegida mas não em perigo de extinção, também estava à espera de um par. “Araras são animais sociáveis. Ter reunido as duas já foi ótimo. Agora nossa expectativa é que essas duplas sejam também casais. No caso da arara-azul, isso será fantástico, porque é um animal muito ameaçado”, explica Moraes.

A confirmação do sexo das araras deverá levar, pelo menos, 20 dias. Como não há diferenças entre machos e fêmeas, será necessária a sexagem por meio de exames de DNA em laboratórios especializados no Rio ou em São Paulo.

Com até um metro de comprimento, a arara-azul-grande é a maior que existe. Ocorre apenas na Amazônia e em áreas do Pantanal. Por causa da sua beleza, se tornou alvo preferido do tráfico de animais silvestres. A espécie ainda sofre com a destruição do seu habitat, pois precisa de matas mais fechada para sobreviver. “Estima-se que existam apenas cerca de quatro mil exemplares na natureza”, revela a veterinária do Mangal das Garças, Áurea Linhares.

Nelson Feitosa
Ascom Ibama/PA